Notícias de inflação, economia fraca e Lava-Jato afetam mercados

Fonte: ValorEconomico - Ver notícia original

Por Aline Cury Zampieri e Lucinda Pinto | Valor

SÃO PAULO  –  Os mercados brasileiros têm uma manhã negativa, pressionados pelo noticiário e por índices econômicos divulgados logo cedo. 

Já foi divulgado o resultado do IBC-Br, espécie de prévia do PIB mensal calculado pelo Banco Central, que veio pior do que o esperado pelo mercado. O indicador registrou queda de 0,84% em abril, ante a estimativa de recuo de 0,4%. 

Além disso, a inflação medida pelo IPCA-15 acelerou entre maio e junho, de 0,60% para 0,99%, puxada pelo aumento dos preços dos alimentos. É a taxa mais elevada para meses de junho desde 1996. O IPCA-15  é uma prévia do IPCA, índice que baliza o sistema de metas de inflação.

E a Polícia Federal prendeu hoje os presidentes da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e da Andrade Gutierrez, Otávio Marques Azevedo, entre outros executivos, na nova fase da Operação Lava-Jato.

Os juros futuros sobem, reagindo ao resultado do IPCA-15 de junho, mais alto do que o esperado pelo mercado. A leitura dos agentes é de que, mesmo com a atividade tão fraca, o nível de inflação impedirá que o Banco Central interrompa a alta de juros tão cedo. O contrato de DI para janeiro/2016 alcança 14,32%, ante 14,24% ontem. Já o DI janeiro/2017 é negociado a 14,17%, ante 13,98% ontem. 

No mercado de câmbio, o dólar acompanha o movimento perante outras moedas de países emergentes e também avança. Às 11h05, ganhava 0,44% sobre o real, a R$ 3,0736.

Na bolsa de valores, o Ibovespa opera em queda desde a abertura abriu em queda e, às 11h12 recuava 0,70%, para 53.861 pontos. Braskem, bancos e Petrobras estão entre os destaques de queda do índice. Braskem PNA perdia 4,12%, Bradesco PN recuava 1,32%, Itaú PN perdia 1,32%, Bradesco ON declinava 1,48%, e Petrobras PN e Banco do Brasil ON baixavam 0,60%.

O estrategista da XP Investimentos, Celson Plácido, comenta que as ações de os bancos sofrem com a conjunção de notícias de economia mais fraca, inflação mais alta e novas prisões na Operação Lava-Jato. A combinação de retração econômica com maior inflação, diz, traz possibilidade de aumento de inadimplência. Além disso, os bancos são credores das companhias envolvidas hoje na nova fase da Lava-Jato. Plácido diz que, com a prisão dos executivos, ?pode piorar ainda mais a situação das construtoras no repasse de verbas, resultando em inadimplência?. Braskem sofre duplamente, afirma ele, por ter como dois maiores sócios a Odebrecht e a Petrobras.

Fonte: ValorEconomico- Ver notícia original

Relacionados