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Outubro Rosa: Tatuadores promovem ações e elevam a autoestima das mulheres

Outubro Rosa: Tatuadores promovem ações e elevam a autoestima das mulheres

Foto: arquivo pessoal de Joana Jeker dos Anjos / Tatuagem feita pelo artista Rogelio Paz em mulher que teve câncer de mama


No mês de conscientização ao Câncer de Mama, tatuadores lançam projetos para amenizar as marcas da mastectomia em mulheres que lutaram contra a doença. Entre as ações que permeiam a capital federal, está a campanha "Outubro Rosa" da Rádio Transaméria. Em parceria com o renomado tatuador  Rogelio Paz, a emissora irá escolher quatro mulheres com histórias de superação para serem tatuadas gratuitamente. A iniciativa visa resgatar a autoestima de mulheres que passaram pela doença.

"Estou feliz em poder ajudar essas mulheres através do meu trabalho”, declarou Rogelio Paz, que já faz tatuagens de graça ou por preços mais baixos em mulheres mastectomizadas, que não tem como pagar pelo serviço .Entre os trabalhos feitos pelo profissional está a administradora Joana Jeker dos Anjos, de 39 anos. Aos 30 anos de idade, Joana descobriu que tinha câncer de mama. Foi durante o banho, ao fazer o autoexame, que localizou um nódulo no seio direito. Após o diagnóstico, foi confirmada a doença. Ela teve que se submeter a uma mastectomia e a sessões da quimioterapia.

"A reconstrução da minha mama ficou muito boa, com um resultado bem harmonioso, mas a cicatriz era grande" afirma Joana que teve partes da pele e músculo das costas retirados e transferidos para a mama. "A cicatriz começava no meio das costas e ia até o final da mama reconstruída”, destaca Joana que buscou na tatuagem uma forma de recuperar a autoestima e esconder as marcas deixadas pela doença.

“Hoje, eu me olho no espelho e vejo uma linda tatuagem. Conheço o trabalho do Rogelio há anos. Tenho amigos e primos que fizeram tatuagens com ele. Eu soube que ele fazia um trabalho social, de ajudar mulheres que tiveram câncer de mama e que não podem pagar pela tatuagem de pigmentação da auréola e do bico da mama reconstruída. Apresentei a ele a associação ‘Recomeçar’, que fundei para ajudar mulheres que tiveram câncer de mama, e disse que queria fazer uma tatuagem para cobrir a cicatriz. Foi aí que ele me deu esse belo presente, que ficará marcado para sempre em mim”, declarou a administradora. O desenho de Joana são flores de cerejeira. Para ela, a tatuagem do artista Rogelio Paz significou um recomeço em sua vida.

“Depois que fiz a tatuagem foi como virar a página e deixar no passado o padecimento decorrente do diagnóstico do câncer, da mutilação da mama, da quimioterapia e das cirurgias para reconstruir a mama nova. Foi o fim de um ciclo difícil para o início de um glorioso. O resultado ficou lindo, maravilhoso, e aprovei a obra de arte feita pelo Rogelio”, afirma Joana.

Rogelio Paz diz que tatuar mulheres que tiveram câncer de mama, como Joana, é um dos trabalhos que o deixa mais satisfeito e realizado como profissional. “Saber que com meu trabalho ajudei uma pessoa que passou por essa doença a recuperar a autoestima e a vaidade é muito gratificante. Não tenho palavras para descrever como fico feliz em poder ajudar, por meio dessa arte, as mulheres a seguirem em frente e superarem o passado com um desenho que represente a sua luta pela vida”, garante Rogelio que, dependendo do caso e da condição financeira, tatua de graça mulheres mastectomizadas. 

E Joana ainda incentiva:“indico as mulheres que tenham cicatrizes resultantes da reconstrução da mama a fazerem uma tatuagem. Hoje eu me olho no espelho e estou muito feliz com o resultado, com minha autoestima resgatada”, conclui ela, que é uma das responsáveis pela elaboração da Lei Distrital 4.761/12, que garante cirurgias de reconstrução da mama, com a inclusão da obrigatoriedade do fornecimento da pigmentação da auréola e bico da mama. 

Para participar da promoção oferecida pela Rádio Transaméria é necessário mandar um e-mail para: [email protected] Além da escolha das histórias mais comoventes de enfrentamento e recuperação do câncer de mama, ainda podem concorrer às tatuagens de Rogelio Paz mulheres que tenham sido vítimas de violência doméstica e queiram cobrir a cicatriz com um desenho do artista. As mesmas devem mandar um e-mail para a rádio e descrever a história.

Além da Transamérica, outra ação está rolando na cidade. Tatuadores confirmados no evento 'Brasília Tattoo Festival', marcado para os dias 4 e 6 de novembro - no Centro de Convenções, participam do II Mutirão Nacional de Reconstrução de Mama durante essa semana. Em parceria com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, os profissionais irão reconstruir mamilos e auréolas de pacientes que passaram por mastectomia.

Projeto Social Permanente

Em 2015, o Distrito Federal apareceu como a primeira unidade federativa com a maior taxa de relatos de violência doméstica no Disque 180. Com o intuito de ajudar às vitímas e amenizar as marcas deixadas pelas agressões, um grupo de mulheres tatuadoras do estúdio Lounge Tattoo criou o Projeto Social Permanente. A iniciativa oferece tatuagens gratuitas que possam minimizar, cobrir e ressignificar as cicatrizes deixadas pelo crime. 

"Muitas já chegaram a relatar que sentem desconforto ao ouvir alguém perguntar sobre o porquê da cicatriz. Creio que com a tatuagem essas situações podem se evitadas", afirma Dayane Araújo, uma das idealizadoras. 

Dayane conta que o principal foco do projeto é atingir as mulheres carentes, que não têm condições de pagar uma cirurgia plástica ou até mesmo uma tatuagem. A ideia da ação surgiu após uma tatuadora do Paraná criar o projeto "A Pele da Flor”, que além de atender vítimas de violência doméstica, também oferece desenhos para esconder as marcas da mastectomia. 

Para a cobertura de cicatrizes na pele, Dayane recomenda que a vítima procure um dermatologista antes. "O ideal é que tenha um tempo mínimo de dois anos, para não ter nenhum problema", alerta. O contato com as vítimas está sendo feito com parceria pelo Centro de Apoio à Mulher (Ceam).