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Violência contra a mulher vira foco em curta-metragem brasiliense

Escrito por: Cibele Moreira Data: 19/10/2016
Violência contra a mulher vira foco em curta-metragem brasiliense

Uma menina de 23 anos é estuprada e passa pelas consequências dolorosas de um abuso. Apesar do trauma, ela não encontra amparo da polícia e é culpabilizada pelos colegas. Então, decide unir-se a melhores amigas para encontrar justiça.  Essa é a premissa de Lilith, um filme-manifesto sobre a força e o poder das mulheres, produzido por estudantes de Audiovisual da Universidade de Brasília (UnB).

 

A ideia do roteiro surgiu como um desabafo sobre os diferentes casos de violência noticiados no último ano. O estopim foi causado pelo fim cruel da estudante Louise Ribeiro, em março deste ano, e do estupro coletivo de uma jovem no Rio de Janeiro, em maio. “Escrevi o projeto porque sinto que precisamos discutir mais sobre cultura de estupro e misoginia. O filme é um grito de basta, para dar visibilidade ao tema, para conscientizar e combater”, aponta a roteirista e diretora Patrícia Nascimento. 


Apesar de chocantes, as questões debatidas no curta-metragem são parte da realidade brasileira. De acordo com os dados mais recentes, em 2014 o Brasil tinha um caso de estupro notificado a cada 11 minutos. Os números são do 9º Anuário Brasileiro da Segurança Pública. Como apenas 30% a 35% dos casos são registrados, é possível que a relação seja de um estupro a cada minuto. Segundo o Ipea (2013), 89% das vítimas de estupro no país são mulheres.

 

Ainda assim, até hoje há responsabilização da mulher por atos de violência sexual. De acordo com levantamento realizado pelo Datafolha em 2016, mais de um terço da população brasileira (33%) consideram que a vítima é culpada pelo estupro. A pesquisa mostrou ainda que 65% da população têm medo de sofrer violência sexual.

 

Para tratar de um problema social que aflige majoritariamente mulheres, as realizadoras do curta-metragem decidiram que a equipe deveria ser inteiramente feminina. “Em uma sociedade machista como a nossa, é fundamental que as mulheres contem suas próprias histórias”, afirma Martha Carvalho, assistente de direção, “queremos que toda a equipe entenda a perspectiva das vítimas, para abordar o assunto com sensibilidade e propriedade”.  Ao todo, são 35 mulheres participando da produção, em todas as funções.

No momento, o filme está em fase de gravações. Para reunir a verba necessária para realização, a equipe lançou um campanha de financiamento coletivo na internet.  Segundo a diretora Patrícia Nascimento, o dinheiro arrecadado será usado para pagar o elenco e cobrir parte das despesas de pós-produção (edição e distribuição). Para participar, é só acessar a página https://benfeitoria.com/lilith, escolher o valor a ser doado e a recompensa. A plataforma de financiamento funciona com um sistema de “tudo ou nada”, então a campanha precisa atingir o valor mínimo de doações para receber o dinheiro, ou perde tudo. A campanha de financiamento segue até o próximo sábado, dia 22 de outubro.

Para Helena Dupin, diretora de Arte, é preciso incentivar esse tipo de projeto que transgride os valores machistas e patriarcais da sociedade, em geral, e da indústria cinematográfica que ainda dá pouco espaço para as mulheres. “Além de sermos um curta universitário, independente e que carrega uma mensagem importante sobre violência sexual, queremos empoderar as mulheres. Essa representatividade é importante, porque mostra que temos força para realizar grandes coisas, inclusive um grande filme”.



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