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Pai de cinco, empresário de Brasília mostra que amor paterno não tem barreiras
Ao lado da esposa, Wilame Araújo cria cinco filhos, três consanguíneos e dois adotados. Com nascimento do terceiro filho, com Síndrome de Down, família optou pela adoção de crianças especiais.

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O nascimento de uma criança com síndrome de Down foi um marco na vida do empresário do Distrito Federal Wilame Araújo. Após os primeiros contatos com Luís Felipe – o terceiro filho dele com a mulher, Beatriz Rodrigues –, ele decidiu adotar mais duas crianças com necessidades especiais. Na semana do Dia dos Pais, Araújo conversou com o G1 sobre o amor paterno e a vida ao lado dos cinco filhos.

Ao saberem da deficiência de Luís Felipe, Wilame e Beatriz tiveram contato com uma entidade internacional que apoia a adoção de crianças com alguma deficiência. Foi por meio da organização que o destino do administrador de empresas cruzou com os de Lucas, 2 anos, também portador de Down, e Luísa, de 3 anos, que nasceu com espinha bífida.

Após o nascimento do caçula, com Down, o casal começou a pensar na ideia de adotar uma criança para os filhos crescerem juntos. A decisão foi tomada quando o filho biológico ainda era recém-nascido – e quando o casal ainda nem sabia como lidar com as diferenças de desenvolvimento das crianças com necessidades especiais.

“Quando Luís Felipe nasceu, parece que mudou o nosso ângulo de visão. Decidimos adotar crianças com alguma necessidade especial, para que possamos ajudar ainda mais.”

O encontro

O encontro aconteceu longe do Brasil. Na busca por um filho que tivesse alguma deficiência, Wilame encontrou dois. Ele foi apresentado a um casal de irmãos especiais, Lucas e Luísa, que moravam em uma instituição de abrigo na Ucrânia - país que permite a adoção de pessoas com necessidades especiais por estrangeiros. A família se conheceu durante a viagem.

“A primeira vez que o vimos, o Lucas se segurou ao meu dedo e eu pensei, ‘ele quer ajuda’. A Luísa era uma menina muito assustada, mas me abraçou forte. Conseguimos conquistar a confiança deles”.

Com os laços fortalecidos, os mais novos membros da família Araújo chegaram há oito meses no Brasil. Os irmãos adotados se uniram a Gabriela, de 16 anos, e Henrique, de 9.

Juntos, os cinco irmãos são a alegria da casa e motivaram os pais a compartilharem a experiência da adoção especial. O casal mantém o projeto do Blog UpNow para contar a história e motivar outras pessoas à adoção – principalmente, a de crianças com necessidades especiais.

Na página, é possível ler relatos sobre os desafios e responsabilidades envolvidas na adoção, e no que ele chama de “paternidade especial”, além de informações voltadas para pais que pensam em adotar.

“Decidimos adotar crianças especiais e, hoje, elas estando conosco, sabemos que tomamos a decisão certa. Foi um processo burocrático, mas temos plena satisfação.”

Adoção especial

A história do empresário chama atenção para os desafios da adoção de crianças com necessidades especiais. No Brasil, das mais de 7,9 mil crianças à espera de um lar, 19,64% tem alguma doença ou deficiência, segundo dados do Cadastro Nacional de Justiça (CNJ).

Para estas crianças especiais, a fila de adoção pode ser ainda mais longa. Cerca de 65% dos pais pretendentes exigem características que as excluem do perfil desejado.

No Distrito Federal, de acordo com o Cadastro Nacional de Adoção, há mais de três famílias inscritas para cada criança ou adolescente disponível para adoção na capital.

Segundo a supervisora substituta da seção de colocação em família da Vara da Infância e Juventude (VIJ), Niva Campos, apesar de o número de crianças ser inferior ao de pais – o que poderia facilitar o processo –, a conta não fecha.

“No cadastro há crianças com problemas graves de saúde e deficiência. Normalmente as pessoas querem um filho perfeito, sem problemas de saúde, mas existem crianças que não se encaixam nesse padrão.”

Na avaliação da analista da VIJ, “quanto mais incapacitante o problema de saúde da criança, menor a abertura das família para a adoção”.

Quem pode adotar

O Estatuto da Criança e do Adolescente estipula que os adotantes sejam maiores de idade, e tenham no mínimo 16 anos a mais que o adotado. Solteiros, viúvos e divorciados com condições socioeconômicas estáveis também podem se candidatar. Os pretendentes não podem ser dependentes de álcool e drogas, ou morar com pessoas que tenham esse perfil.

Os interessados devem procurar o fórum munidos do RG e de um comprovante de residência. Após análise e aprovação da documentação, eles serão entrevistados pela equipe técnica da Vara da Infância e da Juventude.

Os candidatos podem então ser encaminhados para grupos de reflexão para avaliar as motivações do interesse em adotar. Os aprovados são encaminhados para o cadastro de habilitados.

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