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Políticas de lixo zero em outros países são exemplo para o DF
Palestrantes do Cidades Lixo Zero falaram do funcionamento da política em cidades da Itália, da Eslovênia, dos Estados Unidos, do Japão, das Filipinas, da África do Sul e do Brasil

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(foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília)

 
Exemplos do tratamento do lixo em outros países ganharam destaque durante o congresso internacional Cidades Lixo Zero. A programação do dia de abertura contou apresentação do funcionamento da política lixo zero em cidades da Itália, da Eslovênia, dos Estados Unidos, do Japão, das Filipinas, da África do Sul e do Brasil, que compartilharam experiências, iniciativas e obstáculos para cumprir a meta do Lixo Zero. 

O britânico Mal Williams deu o exemplo adotado no País de Gales, que saiu do pior reciclador da Europa para o mais bem sucedido em uma década. “A diminuição não tem a ver com economia ou ecologia, mas sim com o certo e o errado. Produzir resíduos é um erro humano. O Brasil tem a possibilidade de resolver esse problema em menos de 60 anos e, para isso, precisamos ouvir e compartilhar descobertas”, afirmou. 
 
Entre as iniciativas propostas na abertura do seminário, a mais comum foi a de reeducação da sociedade local. Os especialistas ressaltaram a importância de reduzir a utilização de produtos descartáveis, como copos plástico e canudos. 

Na Colômbia, país vizinho do Brasil, foram os ativistas ambientais a levar ao governo propostas para reduzir a produção de resíduos. “Há 10 anos, quando começamos a falar sobre isso, iniciamos programas de educação ambiental e eventos de eco-marketing. Todos deveriam ter formação mínima em reciclagem e transformação de resíduos, mas tentamos também passar isso por meio da música e da arte, atingindo um estado de conscientização”, afirma a ativista colombiana Sandra Pinzón, que destaca a mudança estrutural.
 
Assim como em Brasília, os principais lixões a céu aberto de Bogotá, capital da Colômbia, foram fechados, deixando de receber 8 mil toneladas de resíduos por dia.
 
O evento começou na terça-feira (5/6) e continua até quinta (7), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Um enorme dinossouro feito de garrafas PET foi instalado no espelho d'água do Museu da República para lembrar a importância da reciclagem.

Caminho distante 

Na semana em que se comemoras o Dia Mundial do Meio Ambiente, o debate em Brasília gira em torno dos impactos de não reciclar o lixo urbano. A capital federal recebe até o amanhã o Congresso Internacional Cidades Lixo Zero, com discussões sobre desenvolvimento sustentável. A abertura do evento contou com a presença do governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, que citou o fechamento do lixão da Estrutural como avanço significativo.
 
Mesmo assim, pesquisa do Ibope e da Ambev divulgada com exclusividade pelo Correio mostra que o caminho ainda está longe do ideal: 86% da população do DF ainda não separa os materiais recicláveis individualmente nos lixos que geram em casa.

A pesquisa ouviu 1.816 pessoas, que concordaram com unanimidade que reciclar é importante para o futuro do planeta, mas, mesmo assim, 49% da população do DF afirma saber pouco ou nada a respeito de coleta seletiva.
 
O seminário, criado pelo Instituto Lixo Zero Brasil (ILZB) em parceria com o GDF, tem o objetivo incentivar a implementação do conceito lixo zero. O objetivo é aproveitar ao máximo os resíduos recicláveis e orgânicos e dar-lhes a correta destinação, para assim, desviar do aterro sanitário acima de 90% de todo resíduo produzido, dando o encaminhamento adequado para cada um dos produtos. 
 
A empresa responsável por reciclagem no Distrito Federal processa oito toneladas de resíduos por mês. Apenas o plástico é reciclado no DF, tornando-se materiais como sacos de lixo, baldes e galões para produtos de limpeza. São 127 toneladas reutilizadas na capital federal por ano, o que mal chega a 3% do total produzido. 

Para papel, papelão, metal e vidro o caminho ainda é mais longo: os materiais precisam ser levados para indústrias em outros estados. O presidente do Instituto Lixo Zero Brasil destacou a necessidade de mudar essa realidade. “É necessário criar um Parque de Reciclagem para fomentar a economia do DF. Basta observar que, a cada ponto percentual de materiais sendo reciclados, são criados 120 empregos diretos”, garante.
 
* Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer 

Fonte: CorreioBraziliense

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