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Falsa médica que prometia cura a pacientes é condenada pela Justiça
Renatha Thereza Campos encontrava potenciais vítimas e realizava tratamentos estéticos e de saúde diferentes para cada alvo. Ela se apresentava como médica e biomédica

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Renatha Thereza Campos dos Santos tinha mais de dez passagens pelo mesmo crime e foi presa em dezembro de 2017 (foto: Reprodução)

Encontrar um paciente que precise passar por algum procedimento de saúde ou estético e enganá-lo fornecendo um falso tratamento. Assim agia uma mulher que se passava por médica para aplicar os golpes às vítimas. Renatha Thereza Campos dos Santos foi condenada a 10 anos de reclusão e 6 meses de detenção por exercício ilegal da Medicina e venda de medicamentos sem as formalidades legais. A ré ainda terá que indenizar em  R$ 24.490 seis pessoas. A decisão é da Promotoria de Justiça Criminal de Taguatinga. 
 
Em dezembro de 2017, Renatha foi presa pela 10ª vez pelo crime. As passagens pela polícia se iniciaram em 2011. À época, o delegado responsável pelo caso,  Fernando Fernandes, da 19ª DP (Setor P Norte - Ceilândia), afirmou que a mulher " fazia dessas atuações sua forma de vida". 

Segundo a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), a falsa médica prescreveu e ministrou medicamentos, inclusive aplicados na veia, sem ter título de médica, enfermeira ou técnica de enfermagem. As pessoas pagavam Renatha Thereza acreditando que ela era uma profissional cadastrada. As consultas aconteciam nas casas das vítimas ou da ré. Todos os produtos eram adquiridos sem licença das autoridades sanitárias. 

Seis vítimas e um julgamento
 
Em maio do ano passado, Renatha ligou para uma das vítimas, informando que o diagnóstico de aneurisma, feito pelo Hospital de Base, estava errado. Disse ainda que a mulher só tinha mais um mês de vida e recomendou um novo tratamento, com injeções semanais. Com o tempo, a mulher começou a passar mal. 

No mesmo mês, um casal que tentava engravidar também foi enganado. Renatha garantiu que, com as injeções necessárias, os dois poderiam ter o filho. Após as aplicações, ambos começaram a apresentar problemas de saúde.

Já em fevereiro de 2017, a falsa médica prometeu um tratamento contra acne a outra mulher. As aplicações de  ácido e microagulhamento não fizeram efeito e as manchas e dores persistiram. 

Um homem, em outubro de 2016, realizou um procedimento estético para a retirada de cicatrizes de traqueostomia. O tratamento consistia em aplicação de ácidos e injeções. O emprego inadequado gerou graves danos ao homem.

Em outra situação, entre novembro de 2016 e abril de 2017, Renatha forneceu medicações controladas – Diazepam e Morfina – a outra vítima em troca de dinheiro. No entanto, em um dado momento, a ré se recusou a fornecer os remédios, mesmo já tendo sido pagos. 

Renatha negou as acusações do MPDFT e afirmou que era amiga das vítimas. A promotoria considerou, no entanto, que a ré "tinha plena consciência dos atos delituosos que praticou e era exigível que se comportasse de conformidade com as regras do direito". 

A falsa médica responde ao processo em liberdade, condição fornecida pela Justiça por ser ré primária. O Correio tentou contato com a defesa da acusada, que não respondeu até a última atualização. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) vai recorrer para aumentar a pena.

Fonte: CorreioBraziliense

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