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Apoio de parlamentares influencia campanha de candidatos ao Buriti
Estrutura de senadores e deputados distritais e federais tem impacto direto na campanha dos candidatos ao Palácio do Buriti. Muitos deles, no entanto, não seguem as determinações das alianças nacionais

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Onze pré-candidatos disputam o comando do Palácio do Buriti, sede do Executivo local: concorrência acirrada (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
A base e o apoio de parlamentares fazem diferença na disputa pelo Palácio do Buriti. Deputados distritais, federais e senadores que disputam as eleições deste ano colocarão nas ruas cabos eleitorais para defender as próprias candidaturas e ajudar, nesse processo, a fortalecer o nome dos candidatos a governador que apoiam. Cientista político e especialista em políticas públicas pela Universidade de Brasília (UnB) Emerson Masullo avalia que os candidatos ao Legislativo têm o poder de trazer votos para os majoritários. “Quem se associa a nomes fortes e com boa imagem agrega isso à própria imagem, o que resulta em voto. Na medida em que faz boas coligações e alianças, garante-se uma possibilidade de maior aceitação na campanha”, explica.

A menos de uma semana para o início da campanha, alguns parlamentares, no entanto, não definiram qual caminho seguir e devem esperar até os últimos momentos para tomar posição. Outros, diante de acordos feitos pelos partidos para a composição majoritária, optaram pela neutralidade (veja quadro). Candidato à reeleição, o atual governador, Rodrigo Rollemberg (PSB), tem o apoio fechado de quatro distritais para a disputa deste ano. O socialista recebe o suporte, por exemplo, do pré-candidato ao Senado Chico Leite (Rede) e do pré-candidato a deputado federal Israel Batista (PV). Ele também terá ao seu lado Juarezão e Luzia de Paula, ambos do PSB. O primeiro tem base eleitoral em Brazlândia, e a segunda é liderança em Ceilândia, área com grande potencial de votos.

O governador ainda pode ter o apoio, mesmo que mais silencioso, de outros nomes que fazem parte de partidos que não compuseram com a coligação do socialista. O líder do governo na Câmara Legislativa, Agaciel Maia (PR), ainda não decidiu quem apoiará, mesmo que o PR tenha fechado com Alberto Fraga (DEM). “Teremos mais algumas reuniões nesta semana, mas, até o momento, não defini qual será a minha posição”, diz o parlamentar.
Neutralidade
Telma Rufino (Pros) e Lira (PHS) seguem na mesma direção. Os dois são de partidos que estão com Eliana Pedrosa (Pros), mas os distritais permanecem na base de Rollemberg na Câmara Legislativa e não anunciaram oficialmente apoio à candidata. Em contrapartida, o governador não contará com distritais do PDT. A sigla fechou com Rollemberg nos últimos momentos por decisão da Executiva nacional. Mesmo assim, os candidatos à reeleição Cláudio Abrantes e Reginaldo Veras ficarão neutros para a disputa majoritária. O presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle, não se candidatará a nenhum cargo nas eleições e também deve optar pela neutralidade. “Estarei junto com os candidatos do PDT e vou seguir a mesma decisão dos meus colegas deputados do partido”, disse.

Quatro distritais estão fechados com o deputado federal Rogério Rosso, pré-candidato ao GDF pelo PSD. O grupo de parlamentares representa o discurso de que a chapa tem adotado em defesa da família e de valores cristãos. Rosso conta, inclusive, com vice evangélico, o pastor Egmar Tavares (PRB). Pré-candidato a deputado federal, o distrital Julio César (PRB) traz a força da Igreja Universal para a candidatura de Rosso. Na convenção do PSD/PRB, no último fim de semana, ele destacou que lutará pela vitória do cabeça de chapa. “Vamos colocar todas as nossas forças na rua para ajudar Rosso”, afirmou.

O deputado federal Alberto Fraga, pré-candidato ao GDF pelo DEM, também aposta no discurso conservador em defesa da família e da segurança pública como algumas das bandeiras de campanha. No Legislativo local, Fraga conta com o apoio de dois distritais da bancada evangélica: bispo Renato Andrade e Sandra Faraj, ambos do PR.

O advogado Ibaneis Rocha, que disputa o cargo de governador pelo MDB, tem ao lado os três distritais do partido. Ex-policial civil, Wellington Luiz pode agregar votos da corporação para o pré-candidato ao Buriti. A distrital Celina Leão (PP) é outra que está na base de Ibaneis. Ela é pré-candidata a deputada federal e vista como nome forte na disputa pelos correligionários.
Mesmo sem se aliar a nenhum partido, a bancada do PT na Câmara Legislativa garante o apoio de três distritais ao candidato ao GDF Júlio Miragaya. Ele tem o suporte de Chico Vigilante, com base eleitoral em Ceilândia, de Ricardo Vale e do pré-candidato ao Senado Wasny de Roure.

Eliana Pedrosa, pré-candidata ao Buriti pelo Pros, tem assegurado o apoio de Liliane Roriz (Pros). A distrital não disputará essas eleições. Pedrosa tem ao lado outros nomes da família do ex-governador Joaquim Roriz, como a filha Jaqueline e a mulher dele, Weslian.

Congresso Nacional

Com o cenário montado para as eleições deste ano, pelo menos cinco das oito vagas de deputado federal do DF serão renovadas para o próximo mandato. Alberto Fraga (DEM) e Rogério Rosso (PSD) disputarão o Buriti, enquanto Izalci Lucas tenta um lugar no Senado na chapa de Fraga. Rôney Nemer (PP) e Vitor Paulo (PRB) não serão candidatos. Laerte Bessa (PR) disputa a reeleição no grupo de Fraga, os dois têm discurso alinhado na defesa de valores conservadores e da segurança pública. Pelo PT, Erika Kokay tenta a reeleição, assim como Augusto Carvalho (Solidariedade).

O senador Cristovam Buarque (PPS) foi um dos principais articuladores da coligação encabeçada por Rosso. Ele tenta se reeleger e faz dobradinha com o empresário Fernando Marques (Solidariedade). O senador Hélio José (Pros), que assumiu a vaga no Senado por ser suplente de Rollemberg, não caminhará ao lado do governador. Ele será candidato a deputado federal na chapa que tem como candidata ao GDF Eliana Pedrosa.

Sem partido, o senador José Antônio Reguffe não definiu o voto para essas eleições. “Não sei em quem votarei nem para governador nem para a Presidência. Sempre tive as minhas posições claras. Inclusive nos segundos turnos, quando as pessoas diziam para não indicar candidatos, mas também só vou apoiar alguém em quem realmente acredite”, ressalta.

Fonte: CorreioBraziliense

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